O mundo que a mãe sabia

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O mundo que a mãe sabia - Genealogia, apagamento e insurgência do feminino na ordem simbólica

Autor: Daniel Françoli Yago

Ilustrações: Bruna Maia

Sattva, 2026

184 páginas 

ISBN 978-65-86420-17-3

Este corajoso ensaio não pretende reconstruir a Mãe, tampouco nos interessa qual é o arquétipo do feminino. No lugar, o autor pergunta: o que significa ter organizado a psique inteira sobre um apagamento do feminino como origem? E,  neste percurso, percorre três movimentos:

A primeira seção mostra como o apagamento simbólico do feminino como origem: como o corpo, o ventre, o leite, o sangue e a linguagem amorosa foram sendo lentamente destituídos de sua função fundadora e convertidos em matéria muda, função biológica ou metáfora inferior. Trata-se de refazer uma genealogia de apagamentos, em que a substituição do ventre pelo logos, da relação pela norma e da presença pela função não é um acidente da história, mas uma operação ontológica e epistêmica que reorganizou o próprio conceito de mundo.

Na segunda seção segue os rastros daquelas que nunca aceitaram essa captura simbólica. Medeia, Clitemnestra e Antígona constituem uma matriz simbólica de recusa; a bruxa, a louca e a libertina, por sua vez, compõem uma tríade histórica. Todas essas personagens também são figurações conceituais. Cada uma delas rompe, à sua maneira, com os contratos simbólicos que tentaram nomear o feminino como ausência, como cuidado compulsório, sacrifício ou função. Não são arquétipos da diferença. São ruínas vivas de uma ordem que falha. São figuras que rasgam o pacto civilizatório que subordinou o corpo feminino à função de sustentação do mundo dos outros.

E na terceira seção se volta para o próprio campo junguiano. A ideia é percorrê-lo através de suas fraturas, em vez de renegá-lo ou restaurá-lo. Aqui, perguntamos como a psicologia analítica – que tanto celebrou o feminino como imagem – também o congelou como função simbólica, essência metafísica ou metáfora da alteridade. Se o arquétipo da Grande Mãe serviu tanto para honrar quanto para capturar, agora é preciso perguntar:  o que sobra quando o arquétipo colapsa? Que clínica, que linguagem, que mundo se tornam possíveis quando a mulher deixa de ser metáfora e volta a ser sujeito, linhagem e diferença encarnada?

 

 

 

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